quinta-feira, 8 de junho de 2017

EREM Porto Digital e o Recife colonial: a valorização da história local através do tempos

Em número alarmante, escolas e professores de História se deparam com uma realidade não muito plausível de que grande parte dos alunos não conhece a historia de sua comunidade de seu município ou seu estado, prendendo-se apenas a uma história nacional desvinculada da sua realidade local e de seu contexto histórico. Esse problema causa o desinteresse dos alunos pela História e por outras disciplinas que eles não consideram importantes justamente pelo fato desses alunos não se sentirem inseridos nesse ambiente ou no processo histórico sob o qual os acontecimentos ganham vulto. Em regiões e cidades que possuem um atrativo populacional recente, como é o caso do Recife, a situação ganha maiores dimensões uma vez que parte da população desse município é oriunda de outras regiões do Brasil, onde a migração é constante entre cidades vizinhas. Isso se reflete em sala de aula onde a maioria dos alunos desconhece, ignora e desrespeita suas origens e as da região que hoje habitam.

Turma do segundo ano na Rua do Bom Jesus.

O resultado dessa realidade é um ensino de História desprovido da participação e do engajamento dos alunos que se sentem desmotivados e marginalizados do contexto e processo de construção do conhecimento histórico. Conhecer, entender, respeitar e preservar as raízes e a origem de um povo, comunidade ou uma região é sobre tudo garantir a esse povo a condição de existir e proteger a sua identidade, valorizando e cultivando a sua historia local, facilitando o entendimento e a inserção dos alunos no contexto histórico não só regional mais também nacional. O entendimento e o conhecimento da história local tem o poder de proporcionar ao educando reconhecer-se como agente participativo e transformador da sua história local e nacional e consequentemente gera o interesse e a valorização da mesma facilitando a aprendizagem. Diante desse contexto, os alunos e a escola devem fazer da história local uma ferramenta de facilitação no processo de ensino aprendizagem da História nacional, sendo que o entendimento das origens e raízes dos alunos como membros de uma comunidade ou um grupo social faz com que eles se interessem mais pelo aprendizado da História, fazendo com que eles se sintam realmente agentes participativos do processo histórico. 

Professor José Alexandre da Silva junto aos alunos, elucidando a história local.

Desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/UFPE), a sequência didática Recife Colonial: período açucareiro e holandês. a qual foi ministrada pelos bolsistas, acompanhados pelo supervisor José Alexandre, foram foco do bimestre compreendido nos meses de maio a junho. As atividades se inseriram nos conteúdos programados da disciplina de História para as turmas de segundo e terceiro ano, esta última apenas se insere a atividade interdisciplinar. Resultado da articulação entre docentes da Escola de Referência em Ensino Médio Porto Digital (EREM PD) e estudantes de licenciatura em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a sequência didática propôs o desenvolvimento de atividades de ensino no campo da história local.

Bolsista Felipe Fernandes abordando o neoclassicismo presente na cidade do Recife.

Nesta concepção, a sequência didática Recife Colonial: período açucareiro e holandês propôs o uso de aparelhos eletrônicos móveis como uma estratégia no ensino de história para o nível médio, enfatizando a história do Bairro do Recife. Tendo em vista problematizar o meio urbano em que está localizada a EREM Porto Digital, foram utilizadas, no trabalho pedagógico, diferentes tipos de funções dos dispositivos móveis, como fotos e vídeos produzidos sobre o bairro, mostrando as mudanças ocorridas durante os anos.

O grande momento da sequência didática, foi a aula campo com as turmas dos 2º anos realizadas nos dias 24 e 25 de Maio, os estudantes puderam sair às ruas e exercer a percepção histórica. Os pontos trabalhados foram: praça Ascenso Ferreira a fim de observar o mapa atual da cidade do Recife; Ponte Buarque Macedo com o objetivo de visualizar Olinda e apontar sua importância nesse período, além de sua destruição e abandono. Observar o Rio com o aspecto social e sua utilização na economia e política. Logo após, os alunos foram encaminhados para a Praça da República para que conseguissem exercer uma melhor observação da ilha de São José e santo Antônio nos dois períodos: suas transformações e permanências.Como não poderia deixar de ser, também se passou pela Ponte Mauricio de Nassau e o Cais do Alfandega. Por fim, passaram pela Rua da Moeda, Rua do Bom Jesus e voltou-se à escola.

Alunos segundanistas observando o mapa produzido pelos pibidianos antes de irem à rua.

        Os estudantes puderam perceber que a Cidade do Recife sofreu com fortes modificações urbanísticas no decorrer da sua história. Contudo, poucas dessas modificações foram, de fato, tão marcantes, intrínsecas, viscerais e duradouras como as vivenciadas durante a gestão de Francisco do Rego Barros, Conde da Boa Vista, à frente da Presidência da Província de Pernambuco, ofertada por indicação e exercida a pedido do Imperador Dom Pedro II de Bragança. Com o Conde da Boa Vista, o Recife comutou-se da cidade arraigada ao passado mascate e ao traço Colonial das edificações públicas e Barroco das construções eclesiásticas e civis para o traço elegante e pungente do Neoclassicismo. Este foi trazido da Europa para o Recife pelo conde e acabou por transformar a cidade em seu amálgama, construindo uma nova cultura e um novo hábito social de importância parecida só encontrada nas ações de outro conde, o Conde Maurício de Nassau Von Siegen, Príncipe de Holanda, no século XVII, durante a Invasão Holandesa. A história da cidade se apresenta num contraponto entre o presente e o passado.

Bolsista Jeani Gomes junto aos alunos na aula campo.

         Por fim, foi de suma importância a disposição dos alunos para a realização das aulas. construção de noções modifica a maneira como o aluno compreende os elementos do mundo e as relações que esses elementos estabelecem entre si, na medida em que o ensino de História lhe possibilita construir noções, proporcionando mudanças no seu modo de entender a si mesmo, entender os outros, as relações sociais e a própria história. A associação entre cotidiano e história de vida dos alunos possibilita contextualizar essa vivência individual a uma história coletiva. 

Um comentário:

  1. Valeu Felipe, e equipe Erempd, vocês são minhas férias, próxima etapa, sala de aula. Trabalho com texto, iuhuuuuu.

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